A nossa Transformação Reshape

A APAC muda hoje de nome. Este é um dia importante, por um lado pelo trabalho de reflexão que implicou esta mudança e que hoje termina com esta nova marca e identidade visual. Por outro lado, porque hoje torna-se também visível a evolução que a organização tem sofridos nos últimos anos, tendo agora uma equipa profissional dedicada a 100%, modelos de negócio social, valências de apoio social e estratégias de comunicação e aumento do awareness da sociedade civil. Por tudo isto, a APAC de 2022 não é a mesma APAC de 2015. É uma RESHAPE mais madura, mais profissional, mais experiente, mais consciente de todos os desafios envolvidos na transformação do sistema prisional e das dificuldades sentidas por todos os seus agentes e por fim, é uma RESHAPE mais esclarecida acerca de para onde e como deve ir, na criação de um mundo onde ninguém volte à prisão. Vemos uma sociedade em que a reinserção seja a regra e não a exceção, em que todas as pessoas que estão ou estiveram presas tenham as condições para alcançarem o seu projeto de vida. Queremos uma sociedade assente na dignidade e empatia, onde todos têm as mesmas oportunidades.

Desde 2015, temos trabalhado pela humanização do sistema prisional e pela possibilidade de criação, em Portugal, de novos modelos de reclusão. Acreditamos profundamente que as penas, não só devem ser vividas com humanidade e dignidade, mas devem também promover uma verdadeira oportunidade de reinserção social de quem está preso. Para isso acontecer, as penas devem ser cumpridas em ambientes mais pequenos, em casas que permitam uma mais forte interligação e integração na comunidade e que garantam um acompanhamento diferenciado de cada pessoa, que é também única e diferenciada.

Apesar de sentirmos que ainda estamos apenas no início do nosso trabalho, a verdade é que já existem muitos resultados visíveis e muitos indícios de que a transformação do sistema prisional e da sensibilidade da sociedade civil é possível. Por isso esta nova marca e este novo nome vêm apenas reforçar o nosso posicionamento e a nossa ideia de transformação, de evolução, em conjunto. Não descansaremos enquanto não conseguirmos garantir a reinserção digna de todas as pessoas que estão ou estiveram presas.

Acreditamos ter encontrado uma marca que chega a todos. Uma marca que fala por si só e que ajuda a compreender a importância da transformação. Transformação, em primeiro lugar, das oportunidades para quem está ou esteve preso. A transformação também da perceção da sociedade sobre estas pessoas e sobre a importância das segundas oportunidades. E por fim, mas não com menos importância, a transformação da interação entre as entidades públicas que administram o nosso sistema prisional e a sociedade civil (empresas, associações, municípios, etc.).

Este processo de transformação que nós próprios sofremos obrigou-nos a refletir, de forma séria e profunda, sobre o nosso posicionamento e sobre a melhor forma de chegarmos à nossa visão. E só será possível alcançar esta visão, de um mundo onde ninguém volte à prisão, através da criação de formas de reclusão positivas, com o envolvimento de todas as pessoas. E são muitas as que fazem parte do ecossistema RESHAPE. Os associados, os voluntários, os colaboradores, os beneficiários, os doadores, os vários parceiros e todos aqueles que nos seguem e participam nos nossos eventos e iniciativas. Os valores que nos têm trazido até aqui não mudaram, porque têm sido eles a moldar a nossa forma de interagir e de cooperar. São esses mesmos valores que nos têm permitido chegar a mais pessoas, a cada ano que passa,  e a, dessa forma, ter cada vez mais impacto na vida de todos os que estão ou estiveram presos. A transformação depende de todos.

Resta-me, antes de terminar e antes de vos deixar com o nosso manifesto, agradecer. Agradecer a todas as pessoas que, ao longo destes quase 7 anos têm acreditado em nós. Obrigado por partilharem da mesma visão que nós e por reconhecerem que o mundo só tem sentido se forem criadas segundas oportunidades.

MANIFESTO

Acreditamos que através da empatia podemos ter um impacto positivo na vida de todas as pessoas que estão ou estiveram presas, numa sociedade baseada na igualdade e dignidade. Sem rótulos.

Vemos potencial onde outros veem fracasso e acreditamos em oportunidades, nas primeiras, nas segundas, nas que forem necessárias.

Queremos mudar atitudes para resolver desequilíbrios e atenuar desigualdades.

Sem utopias.

Caso a caso, até conseguirmos o todo.

Duarte Fonseca
Diretor Executivo da RESHAPE