O MODELO DE PEQUENA ESCALA E A INTEGRAÇÃO NA COMUNIDADE: A VISÃO DA RESHAPE

Na RESHAPE, acreditamos que a verdadeira reintegração social só acontece quando conseguimos dar às pessoas privadas de liberdade uma oportunidade real de reconstruírem as suas vidas, com dignidade e respeito. Esta é a nossa missão, e temos visto, na prática, que a pequena escala e o envolvimento na  comunidade são fundamentais para que essa reintegração aconteça de forma eficaz.

A Diretora do Estabelecimento Prisional de Torres Novas, Paula Quadros, falou recentemente sobre a importância de modelos de pequena escala, como o caso do seu EP, que se caracteriza por acolher exclusivamente pessoas privadas de liberdade em regime aberto, integrando-as na comunidade e oferecendo-lhes oportunidades de aquisição de competências socioprofissionais. Este modelo, que já tem mostrado excelentes resultados, confirma o que sempre defendemos: a reintegração precisa de ser feita de forma individualizada, em espaços pequenos, que promovam a confiança, o autoconhecimento e o respeito pelas diferenças.

Em Torres Novas, a taxa de reincidência é de apenas 11%, uma percentagem extremamente positiva quando comparada até com modelos nórdicos. Isso demonstra que, com a metodologia certa, focada em pequena escala e integração comunitária, conseguimos reduzir a reincidência. A experiência de Paula Quadros confirma, de forma exemplar, que é possível ter um sistema prisional mais humano e eficaz. A ideia de casas de detenção, como alternativa ao sistema prisional tradicional, está a ganhar força. 

Na RESHAPE, temos trabalhado para implementar esse modelo em Portugal, criando parcerias, desenvolvendo projectos de reintegração e sensibilizando a sociedade e os decisores políticos para a necessidade de mudança. O modelo de pequena escala é a força motriz do movimento europeu RESCALED, do qual a RESHAPE faz parte desde a sua fundação, que defende a criação de estruturas de pequena escala de  de privação de liberdade com uma abordagem mais humana, em espaços pequenos, integrados nas comunidades e que ofereçam um tratamento individualizado e adaptado às necessidades de cada pessoa. E em Portugal também não estamos sozinhos – trabalhamos com parceiros como a Direção-Geral da Reinserção de Serviços Prisionais , empresas, universidades e organizações da sociedade civil para garantir que estas estruturas  possam ser uma realidade em Portugal.

O caminho não é linear. A falta de recursos, a morosidade na concretização de parcerias e as resistências próprias do que é novo são desafios que temos de enfrentar. Mas continuamos firmes, acreditando que um sistema prisional de maior proximidade e apoio individualizado pode transformar vidas, entregar segundas oportunidades e melhorar a sociedade como um todo.

Se acredita nesta mudança, junte-se a nós. Leia a entrevista de Paula Quadros ao jornal O Mirante e descubra como o modelo de pequena escala pode fazer a diferença.

Junte-se a nós nesta jornada de transformação!

Ana Aurélio

Gestora de Comunicação na RESHAPE